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Entender o ser humano é cada vez mais difícil e de tanto me surpreender com as loucuras do bicho homem, achava que nada mais nesse mundo me arregalaria os olhos, até que dias desses, ouvi uma história...
A garota de 22 anos aparentava mais de 40. Sexo para bancar as drogas e drogas para bancar a vida. O círculo vicioso de uma existência redundante e infeliz a fez portadora de um vírus letal, o HIV.
Viver - para a garota condenada à morte – era um fardo pesado demais. Com a ajuda do crack os segundos eram dias, os meses pareciam minutos, perfeito para quem estava anestesiada de qualquer sentimento.
O ofício do sexo sustentava o vício e, com o cheiro da morte impregnado em suas narinas, decidiu que não partiria sozinha, levaria consigo todo ser humano que, com ela, desfrutasse poucos minutos de ínfimo prazer.
A decisão por não se prevenir no sexo, além de antecipar seu atestado de óbito, colocou-a no único momento em que criou algo: novas vidas. Duas crianças foram geradas e, por forças divinas, não contraíram a doença.
Para tentar conter a procriação desenfreada que trazia ao mundo, pequenos inocentes condenados a um futuro incerto, uma assistente social ofereceu ajuda, a possibilidade de uma cirurgia de laqueadura. A improbabilidade da resposta é de enlouquecer qualquer estatístico gabaritado:
“Essa cirurgia vai contra meus princípios religiosos”.
Depois disso, tive a certeza de que existe consciência após a morte. Porque esse ser humano estava morto e, de repente, resolveu expressar algum tipo de reação à vida...
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