Quem Escreveu Este Artigo

roxane REGLY

Estudante de Jornalismo, último ano, repórter em impresso. Formada técnica em Informática, já deu aulas de computação em cursos básicos, e também de computação gráfica e web desing. Trabalha, estuda, trabalha, estuda... Até que sobra tempo para namorar, orar e dormir.. Ama guaraná e é viciada em subway! Blog: Blog RER
EU ENTRO EM PÂNICO

25/07/2009 - 05:59:19


Assistir TV é um programa muitas vezes interessante e na maioria delas divertido. Há quem diga que não gosta de TV, mas tenho a certeza que ainda assim acompanha ao menos um programa ao longo da semana, isso se não diariamente.

A crítica ataca quase sempre a grade de programação dos canais, mas mesmo sendo poucos e nem sempre bons, podemos encontrar de tudo neles. Do jornalismo sério, filmes de todos os gêneros, programas de esporte, música, entretenimento, culinária, artesanato, às mais terríveis e inimagináveis baboseiras produzidas pelo ser humano.

Ultimamente, ando indignada com os níveis a que tem chegado o “Pânico na TV”.

Conhecido pela sua futilidade e humor barato, ainda assim, é inevitável reconhecer que é um programa de sucesso. Em uma busca no Orkut por comunidades relacionadas ao programa, que ocupa um dos horários privilegiados da TV – domingos das 20h45 às 23h e reprise as sextas, às 22h15 – achei a comunidade “oficial” do Pânico, com mais de 603 mil usuários.

Lembro-me há bons anos atrás, quando começou o “fenômeno Pânico”, o que mais se ouvia falar era do tal programa, com suas piadinhas e trocadilhos que logo caiam na “boca do povo”. Comecei a ver pelo menos uma parte da reprise às sextas e no fundo, achava graça de algumas coisas.

Logo, o programa passou a ser cada vez mais apelativo. Mulheres com lingeries minúsculas e saltos altos, lideradas por Sabrina Sato, corriam pelas ruas em “matérias” sem conteúdo e que só exploravam a sensualidade feminina em troca de ibope. Então, desisti de acompanhar o tal programa.

As mudanças continuaram e o pânico incutiu na sociedade, em sua maioria jovem, manias, hábitos e bobagens. Parei para recordar algumas e no fundo fiquei impressionada com a quantidade de coisas idiotas que inventaram e muita gente imitou.

“Eu vô, num vô” estigmatizava mulheres bonitas e feias. “Pedala Robinho” rendeu bons tapas. A “Dança do Siri” era o fervor do momento. O quadro que foi um dos auges da trupe, as “Sandálias da Humildade” virou sensação.

Usar as diferenças das pessoas, a simplicidade, a pobreza e a “feiúra” é algo corriqueiro em seus quadros. Os mais atuais ainda estão no êxtase como “Ronaldo”, frase do torcedor corintiano Zina.

O pior de todos os quadros pejorativos é o “Musa da Beleza Interior”. Mulheres – muitas vezes já senhoras – se exibindo, tendo exaltados seus “defeitos” e características fora do padrão da sociedade e falando coisas sem cabimento.

A exploração da aparência das pessoas e do seu linguajar é cruel e maldosa.

Mulher Samambaia trouxe ao palco uma série de mulheres que passam mais de duas horas de programa rebolando sem sair do lugar, tendo bumbuns, seios e coxas focados pelas câmeras a todo instante. Sabrina fazendo “peitinho” até em Hugh Jackman.

Nos últimos tempos voltei a assistir Pânico na TV após assistir junto a uma amiga alguns vídeos no Youtube do “Momento Amy Whinehouse”. Satirizando a cantora, que vira e mexe se mete em encrenca, um homem vestido de “Amy” quebrava tudo o que via pela frente pelas ruas. Era engraçado, fútil, porém engraçado.

Hoje em Dia, os quadros do Pânico estão voltando a ganhar níveis extremos de apelação. “Pânico Delivery” leva bêbados para casa, junto mulheres semi-vestidas. “O Destruidor” mostra homens vestidos de personagens de vídeo game destruindo carros.

Mais atual, em o “Mário Broz”, imitam o personagem dos games. Ao fim do quadro, “Mário” sempre acaba tragicamente assassinado, com um falso sangue lhe escorrendo pelos olhos, ouvidos, nariz ou boca, seguido de uma advertência sobre as estatísticas de latrocínios no país.

Mas, o que me motivou a escrever este texto é a aversão que tenho do quadro “5 Maneiras, com Marcos Chiesa (o Bola)”. O objetivo não é dar dicas, é ser baixo, nojento e fútil.

O Bola é submetido a situações em que se machuca, sangra, berra a todo momento palavrões – levemente abafados com o conhecido “piii” e mostra a todo tempo partes íntimas.

É o quadro mais repugnante de todos. São situações como saltar sem roupa em uma cama elástica cheia de tachinhas ou andar sobre cacos de vidro. Tudo ao fim acaba em sangue e palavrões. Mau gosto extremo.

Assim como todas as manias e gestos criados pelo Pânico foram seguidos por praticamente todos os jovens do Brasil, não acredito que advertências de “esse quadro é feito por profissionais” vão impedir adolescentes de saírem por aí imitando as idiotices que esses quadros fazem. São péssimos exemplos e nada colaboram na formação do jovem.

Talvez seja por isso que a sociedade vá de mal a pior. Ao invés de falarmos de políticas públicas para melhorar a qualidade do ensino, produzimos estatísticas de quantos deles VÃO morrer até 2012 por assassinato. Um reconhecimento de que a violência nem de longe tende a ser erradicada.

Onde está o incentivo à leitura, à cultura e ao desenvolvimento social? Infelizmente, venho dessa geração que tem por opção programas fúteis, vazios e irresponsáveis. O fato de nada acrescentarem é tratado como humor. Leviano.

E só pra constar, na mesma busca no Orkut por comunidades do programa encontrei uma, com mais de 100 mil usuários, com o nome “Pânico na TV salva o meu domingo”. Pior que isso, existem 22 iguais a ela. É ou não para entrar em pânico?

* Texto na íntegra, com algumas informações a mais e sem edição, publicado no Blog RER.


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