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Aos 13 anos de idade, senti umas cascas no couro cabeludo. Pensei comigo, deve ser seborréia e qualquer shampoo resolverá, mas quando fui ao dermatologista, logo detectou uma doença de pele chamada psoríase. Era o início do tormento da minha vida, na verdade, a minha infelicidade começou ali, naquele momento. Isto sem contar, que já era tímido por causa da surdez moderada de nascença, usar óculos (na época não era tão moda como hoje) e ainda com língua presa. Só por Deus, como iria sobreviver e ainda “atacar” de jornalista (risos).
No decorrer dos anos, a doença aumentou, até que, em 2000, foi acometido por 85% do corpo coberto por escama da conta da psoríase. O ano de 2000 foi interessante para a minha vida. Término da faculdade, fui candidato a vereador, vencemos um prêmio de nível nacional e no âmbito profissional em ascensão com o jornal comunitário Folha do Morro Azul. Do nada, em um simples “oi, cheguei”, a psoríase explodiu no meu corpo.
A título de informação, a doença é auto-imune, não tem cura, tem predisposições em base genética (sistema imunológico), acidental (por intoxicação de remédio, insetos ou até queimaduras) e, o principal deles, o emocional (stress, emocional, depressão ou preocupação). Não podemos jamais confundir portadores de psoríase com portadores de hanseníase (mais popular lepra). Acomete até 5% da população mundial, não é contagiosa e, o clima tem papel fundamental visto que, o sol é um elo no tratamento, por isto, praia, águas termais ou até mesmo uma piscina é bom para quem procura um tratamento mais eficiente. Mais informações da psoríase indico os sites: www.psoriase.org.br / www.psorinfo.com ou www.psoriaseonline.com.br
Legal, voltamos à minha experiência. Com 85% do corpo com psoríase, busquei tratamentos em diversos profissionais. O primeiro só pomadas. A segunda dermatologista, que fui, até me devolveu o dinheiro da consulta por se considerar incapaz de me ajudar (que ajuda emocional, porque bate uma revolta interna incrível) até que fui para o Hospital da Unicamp. Me receitaram um creme a base de óleo de cade (obtido através da destilação de galhos e troncos da árvore Pinaceae, além de outras composições e, atualmente a Anvisa proibiu o produto em cosméticos). O creme, sinceramente, era muito fedorento e estragava as roupas e lençóis. Nem dava para dormir com família e amigos em chácaras ou praias por exemplo, de tão forte era o seu odor. Mas enfim, foram sete anos de uso diário, mas jamais com melhoras significativas.
Em 2008, resolvi conhecer um novo profissional e médico de vários artistas na cidade de Araras. Seu nome é dr. Roberto Cressoni e aconselho procurar este dermatologista, caso conheça alguém com o mesmo problema que o meu ou até mesmo um vitiligo. Por digo isto, porque paguei caro a consulta e, o doutor, na maior tranquilidade, me disse que em 90 dias estaria curado. Sinceramente, duvidei, no entanto, em 90 dias estava nas praias de Ilha Comprida somente de sunga sem uma mancha ou lesão sequer da psoríase. O ar puro do litoral, as águas salgadas do mar, clima de intensa alegria com amigos e feliz com o trabalho fez com que o emocional e a auto-estima estivessem em alta paralela com os novos cremes (deliciosamente cheirosos) e remédios que pegava no Ambulatório Regional de Especialidades (ARE).
Com tudo que é bom dura pouco, um problema da Justiça Trabalhista atrapalhou meus planos. Um caso raro de homônimo fez com que uma residência da minha família fosse leiloada por engano, no entanto, o desgaste foi enorme com custas judiciais e advocatícias. Tive que vir a Limeira as pressas com um emprego em uma agência de publicidade, que me demitiu por não trabalhar direito por causa deste problema e, paralelo isto, um problema maior de família me desgastou tanto que o que era “tudo azul, maravilhoso” se transformou novamente no pesadelo que tenho desde infância.
Com o problema da Justiça resolvido parcialmente, mas com o desemprego persistente assim como problema familiar irritante, o emocional literalmente foi “a mil” misturado com a ansiedade crônica por causa da abstinência do cigarro (há seis meses sem fumar e, só parei por não ter dinheiro para comprar cigarro) e irritação familiar. É!!!! Abri meu portal para que a psoríase me dissesse: “oi, senti saudades e estou de volta”. Por falta de dinheiro, tive que abandonar meu médico e procurar um do plano de saúde, que pediu um novo exame de sangue e, “pronto”... Colesterol e Triglicerídeos acima do elevado e, o principal remédio oral combativo da doença me foi negado. Deve estar na dúvida, porquê negado? Simples a resposta, o remédio é metabolizado no fígado e, colesterol e triglicerídeos vem direto do fígado e, isto não é bom, aliás, muito perigoso esta combinação.
Mas como um bom brasileiro, “não desisti nunca”. Com o corpo novamente com lesões e manchas da minha inseparável psoríase, consegui abaixar um pouco as taxas de colesterol e triglicerídeos e, encaminhei os pedidos, devidamente assinados por um profissional, ao departamento estadual de saúde e, espero novamente, resolver este problema em curto prazo, até porque o remédio tem vida útil no corpo humano. Como meu sistema nervoso central é um pouco “doido”, não sei lá no futuro. Então, vamos maneira agora e buscar a solução.
O que gostaria, com este texto, que a psoríase priva o portador de sua alegria, de seus amigos, de seu trabalho, de seu lazer para viver em um mundo somente dele, retraído e infeliz. A vergonha de si mesmo e o preconceito dos outros são os principais motivos desta “revolta interna” e, porque não, desta agressividade interna. Nós, portadores da psoríase, já somos envergonhados por si só, mas é preciso um novo conceito sobre a doença e, porquê não começar por Limeira?
A interação entre nós, portadores, é importante. O que falta é um pouco de consciência política e social, a principal dele reconhecer a doença como Saúde Pública. A psoríase não mata, mas afeta muito a qualidade de vida para o resto da vida assim como portadores de outras doenças como diabetes, cardíacos e cânceres. A doença não “oferece” apenas transtornos físicos, mas também sociais (todo mundo se não pergunta o que é, pelo menos fica com olhares fixos), emocionais (por falta de oportunidade, gera insegurança, ansiedade de melhorar e stress por revolta) e econômico (o índice de desemprego aos portadores da doença é quase 95%). A Saúde Pública geralmente não tem médico capacidade para o atendimento correto e, muito menos, medicamentos disponíveis aos portadores (em Limeira, tem, mas em nível nacional, é difícil). Na verdade, somos abandonados e isolados tanto pela sociedade quanto por questões da Saúde Pública.
O preconceito vem porque muitos não conhecem ou ouvir falar sobre a psoríase. A falta de informação é a chave de tudo para que políticos “enxergam” esta doença crônica, que a população “observam” com olhares sem preconceito. Sinceramente, a doença realmente não mata o corpo físico, mas mata o que uma pessoa tem de melhor: a convivência social. Enquanto isto não aconteça, queremos apenas respeito e mais oportunidades de qualidade de vida.
Por fim, como tudo começa por um simples passo, que tal, algum vereador se interessar pela causa e se surpresa com os números em Limeira? (Aqui são dois números, o que perderam a vergonha e procuram orientações e os que ficam hibernados e trancados em casa por vergonha). Além de promover uma Semana de Orientação e Conscientização da Psoríase, que tal, também um lugar de lazer com piscina aos portadores terem um pouco mais de lazer e convivência social para se interagirem entre si sobre suas experiência?
Enfim, eu “sai da toca” e busco uma solução para a doença. Não faço apenas por mim, faço por todos, porque sei o quanto isto “queima por dentro da alma”. Se podemos acreditar por um mundo melhor e mais justo. Se podemos acreditar que um dia os políticos serão bons. Porque não acreditam que a cura chegará?
Vale por ler o texto, afinal, um dos poucos lazeres que tenho para combater e desabafar minha ansiedade “dentro da minha toca”... Aos poucos, saindo para viver do jeito que sou. |