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Salve, queridos leitores.
No início desta semana, creio eu que na terça feira, 23, ouvi uma chamada do Renato Machado, que é um dos apresentadores do matutino televisivo ‘Bom dia Brasil’, em síntese, com os dizeres: “um dos assassinos do garoto João Hélio cumprirá só mais dois anos de prisão em regime de semiliberdade”, e, apesar da pressa que ostentava fiquei curioso e aguardei para me inteirar nos detalhes da matéria, que quando foi na íntegra veiculada, pude verificar a coisa “não era bem assim”.
Quanto aos facínoras que extirparam a vida do infante, todos foram condenados a uma reprimenda corporal em regime inicialmente fechado na ordem de 45 anos, sendo que o caso noticiado era quanto a um mero menor de idade que foi declarado como partícipe da conduta.
As impropriedades foram de todos os gêneros, caracterizando um modo vil de se ascender aos degraus do IBOPE.
Em primeiro, insta esclarecer que menor de idade não comete crime, mas sim, ato infracional, o que implica que o internado não poderia ser chamado de ‘criminoso’, tal como pode ser aplicado aos demais.
Em segundo, provoca o reacendimento de uma velha questão acerca da maioridade penal, ou, idade para imputabilidade penal.
Devo esclarecer ao leitor que não pactuo com nenhum tipo de crime ou com criminosos, ao contrário, abomino a ambos, mas procuro olvidar pelo bom senso, e quando possível e coincidente com esta, com a legalidade.
Que discurso hipócrita este. Sei que poderão ser trazidos à tona inúmeros relatos acerca de meninos errantes que assim prosseguiram até e durante a maioridade, o que não é, por si só, justificativa hábil para um erro maior, condizente em depositar os adolescentes em nossas fétidas prisões, que não recuperam ninguém, e a respirarem a carga amorfa dos indecentes, ao contrário, apenas corrompem a um caminho sem volta.
Deve-se ter consciência que o efeito ‘pedra-vidraça’ trilha a rota do bumerangue, e, se é verdade que os que sofreram quando vítimas das más ações perpetradas por adolescentes “conquistaram o direito” de se enganar e conclamar por essa pseuda justiça vingativa, não menos real ocorre com aqueles que vivenciam seus filhos, sobrinho, netos, vizinhos etc. “do lado de lá” da questão, quando se observa a mudança no discurso não para apontar a sujeira do interior do copo, mas para apontar as “más companhias” como responsáveis, ou seja, se vê no próximo, no conhecido, uma excludente para aquele comportamento maldoso, mas, quanto ao ente remoto e desconhecido, é tido simplesmente como que ‘mau por natureza’ (estes não tiveram influência das más amizades), e isso, sem ao menos conhecê-lo ou se inteirar das causas de tal comportamento, nos ditames do axioma de Newton.
E vou mais longe, pois o (des)funcionamento do sistema penitenciário e reeducacional do nosso país é tão patético que oferece um prejuízo ainda maior para a sociedade do que propriamente o elevado custo em divisas, pois o “Sistema”, definitivamente, não recupera, não reeduca, não ressocializa, mas, sim, ‘seleciona’ e ‘especializa’ àqueles que serão estereotipados por toda vida (vida?) como nossos párias, e, inconscientemente, participamos omissivamente disso.
Nestas linhas, não ouso pretender que o leitor comigo concorde, nem muito menos que discorde (mormente com aquelas estórias com exemplos de que conheceu gente paupérrima, e uns saíram bons e outros ruins e por aí vai), mas apenas que respeite, e acima de tudo, reflita profundamente e com isenção de quaisquer outros sentimentos. Após, compare o tanto que concorda ou no que ainda discorda, mas, reflita.
Deixemos aos papagaios e eventuais outros psitacídeos o desiderato de apenas repetir o que lhes pronunciam, sem nada sentir. É o que digo. |