Quem Escreveu Este Artigo

marcos PAULINO

é jornalista desde que se conhece por gente. Começou na Gazeta de Limeira quando o diário ainda era feito nas velhas linotipos. Não que ele seja velho, mas é que iniciou cedo na profissão. Foi redator-chefe do Jornal de Limeira, repórter do Correio Popular de Campinas e sapecou suas matérias na grande imprensa como correspondente da Agência Estado. Fez – e ainda faz – assessoria de imprensa para várias campanhas políticas e empresas. Comandou a comunicação da Prefeitura de Limeira por oito anos e, mais recentemente, vem se dedicando também ao jornalismo na internet, em especial no site Virando Bixo, da EPTV.com. Também é o editor do Plug, o espaço dedicado aos jovens da Gazeta de Limeira. Experimentou – e não gostou – a sensação de ser professor de jornalismo. Por isso, pelo menos por enquanto, decretou por encerrada sua carreira acadêmica. Mas, como seu nome é trabalho, está aqui também, contribuindo com suas anotações sobre o cotidiano. Blog: Vade Retro
Por uma vida mais gentil

16/11/2009 - 14:33:15


Profeta Gentileza

Trabalho numa rua movimentada. Toda vez que tenho que tirar o carro da garagem, preciso esperar o interminável fluxo de veículos que passam por ali naquele momento. É raro, raríssimo, que algum motorista pare para que eu finalmente possa sair. Mesmo entre os que dirigem ônibus, que preferem passar raspando pelo carro quando há veículos estacionados dos dois lados a esperar uns segundinhos para que eu possa fazer uma rápida manobra e seguir meu caminho.

Não fico nada surpreso com isso. As coisas funcionam assim mesmo, pelo menos nas cidades brasileiras que conheço. Com exceção de Brasília, onde é costume que os pedestres tenham preferência para atravessar na faixa. Nos outros lugares, é cada um por si. É como digo: se houvesse mais gentileza no dia a dia, não seriam necessários caixas específicos para deficientes, idosos ou gestantes. Naturalmente, o lugar seria cedido a eles.

Mas o que dizer de um povo que não está nem aí para esse tipo de atitude? A regra por aqui é deixar o cocô do cachorro no meio da calçada. E ainda dar risada se algum desavisado pisar. E se você resolve parar para o pedestre atravessar na faixa, ele fica desconfiado. Com razão, porque o motorista ao seu lado dificilmente terá a mesma ideia e ele pode acabar atropelado.

É por tudo isso que me interessei pelo movimento chamado Gentileza Gera Gentileza. Não sei se na prática funciona a teoria de que, sendo gentil com os outros, eles também tenderão a ser mais gentis no trato com as demais pessoas. Mas simpatizei muito com essa ideia. Tanto que fui pesquisar e encontrei um site, o www.gentileza.net, onde estão expostas as diretrizes desta ação social, como a definem seus organizadores. Solidariedade e respeito ao próximo, exercidos através de pequenos gestos do cotidiano, são os valores esquecidos que se pretende resgatar.

No site, conheci a história de José Datrino, apelidado Profeta Gentileza, que andou pelo país até morrer, em 1996, "espalhando sua pregação de desprendimento ao mundo material e valorização do sentimento gentil", conforme nos conta a página. Lá, também se encontra uma série de atitudes que podemos tomar para nos tornarmos mais gentis. São bem fáceis de praticar, acredite. Entre elas, "ceder a vez no trânsito. Este é um gesto que vai lhe custar apenas alguns segundos e faz toda a diferença para o próximo!" Concordo!


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