Quem Escreveu Este Artigo

círia SANTOS

o nome Círia é em homenagem a maior festa religiosa do mundo: o Círio de Nazaré. Quem escolheu foi meu pai. Tive uma infância divertida, tomando banho no rio Guamá e nos igarapés de águas cristalinas de Ourém. Gosto de ler qualquer livro, encarte, jornal ou embalagem de xampu. Escrevo letras e “invento” melodias para elas. Ganhei um violão quando fiz quinze anos, mas nunca me dediquei a aprendê-lo. Não ando sem batom. Não prezo quantidade e sim qualidade, seja na hora de fazer novos amigos ou na hora de comprar algo. Matemática não é o meu forte e sempre sonho com números. Gosto de filmes de terror em noites de chuva. Tenho fobia a gatos e não sei o verdadeiro motivo, mas gosto deles bem distantes. O que eu admiro em uma pessoa é o caráter. Odeio falsidades, academias de ginásticas, preconceitos e trânsito engarrafado. Minha mãe é meu exemplo e minha saudade. Meu pai é meu aconchego. Minhas filhas me ensinam a viver. Sou muito distraída e muito falante. Exagerada. Choro no final de novela ou assistindo filme romântico. Não gosto de trabalhos domésticos, mas sei cozinhar pratos deliciosos. Sou mais uma brasileira na luta.
Ele queria ter feito o Bolero de Ravel

16/11/2009 - 13:39:13


Luís Capucho não é apenas um cantor, compositor e escritor que vive em Niterói, no seu “vale”, como ele diz. Sua música é pura poesia, traduzida por uma voz marcante e marcada pelo coma que sofreu há alguns anos. Suas canções denotam alguma coisa de aspereza e ternura, como a mão que afaga e que arranha. A melodia é de uma crueza sofisticada, não seguindo a métrica ou a rima esperada das canções comuns. O som do violão é diferente e instigante. A voz pede uma atenção especial.

Luís Capucho já escreveu três livros: Cinema Orly, Rato e Mamãe me adora. Gravou o cd “Lua Singela” e se prepara para lançar o segundo cd, também intitulado de “Cinema Íris”.

É ele o autor da melodia “Máquina de escrever”, cantada por Pedro Luiz e a Parede e que foi sucesso nas chamadas rádios intelectuais. A letra é de Mathilda Kovack (mas, bem poderia ter sido de Luís a parte que diz que “os poemas respiram nas prisões”).

É também o autor de “Maluca”, música gravada por Cássia Eller no cd “Com você meu mundo ficaria mais completo”.

Muito embora a música de Luís se mantenha à margem da chamada “MPBoa moça”, suas composições são ricas em conteúdo e compromisso estético. Nelas, se percebem o acaso, o singelo, o comum e a experiência de vida e pensamentos do autor, seus amores e suas crises, questionando a própria razão de ser de sua existência. É o que ocorre em “Algo assim”: “Com isso eu era para estar/ magoado, deprimido/ com isso era pra eu estar/ chateado, enlouquecido/ eu era pra morrer enforcado/ tomar veneno, me jogar da ponte/ algo assim...”

Luís é lírico e ao mesmo tempo popular; é selvagem e ao mesmo tempo domesticado, expressões reveladas na canção “Bicho doméstico”.

Sua música é intuitiva, criativa, diferente, sem as tintas da vanguarda, pois a melodia remete ao tropicalismo. Tanto é que já foi chamado de Pai do “Retropicalismo”, movimento musical que agregou Marcos Sacramento, Mathilda Kovack, Pedro Luís, Arícia Mess dentre outros.

Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça.


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