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Luís Capucho não é apenas um cantor, compositor e escritor que vive em Niterói, no seu “vale”, como ele diz. Sua música é pura poesia, traduzida por uma voz marcante e marcada pelo coma que sofreu há alguns anos. Suas canções denotam alguma coisa de aspereza e ternura, como a mão que afaga e que arranha. A melodia é de uma crueza sofisticada, não seguindo a métrica ou a rima esperada das canções comuns. O som do violão é diferente e instigante. A voz pede uma atenção especial.
Luís Capucho já escreveu três livros: Cinema Orly, Rato e Mamãe me adora. Gravou o cd “Lua Singela” e se prepara para lançar o segundo cd, também intitulado de “Cinema Íris”.
É ele o autor da melodia “Máquina de escrever”, cantada por Pedro Luiz e a Parede e que foi sucesso nas chamadas rádios intelectuais. A letra é de Mathilda Kovack (mas, bem poderia ter sido de Luís a parte que diz que “os poemas respiram nas prisões”).
É também o autor de “Maluca”, música gravada por Cássia Eller no cd “Com você meu mundo ficaria mais completo”.
Muito embora a música de Luís se mantenha à margem da chamada “MPBoa moça”, suas composições são ricas em conteúdo e compromisso estético. Nelas, se percebem o acaso, o singelo, o comum e a experiência de vida e pensamentos do autor, seus amores e suas crises, questionando a própria razão de ser de sua existência. É o que ocorre em “Algo assim”: “Com isso eu era para estar/ magoado, deprimido/ com isso era pra eu estar/ chateado, enlouquecido/ eu era pra morrer enforcado/ tomar veneno, me jogar da ponte/ algo assim...”
Luís é lírico e ao mesmo tempo popular; é selvagem e ao mesmo tempo domesticado, expressões reveladas na canção “Bicho doméstico”.
Sua música é intuitiva, criativa, diferente, sem as tintas da vanguarda, pois a melodia remete ao tropicalismo. Tanto é que já foi chamado de Pai do “Retropicalismo”, movimento musical que agregou Marcos Sacramento, Mathilda Kovack, Pedro Luís, Arícia Mess dentre outros.
Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça. |